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segunda-feira, 22 de junho de 2009

CHUVA DE FELICIDADE


                                                                    Imagem: WEB


Neste final de tarde, em pleno recesso escolar, resolvi sair da rotina e caminhar pelas ruas do bairro onde moro. Após alguns minutos de passeio, observei que o astro-rei antecipara o seu recolhimento. Na verdade, ele fora encoberto por nuvens escuras que se agruparam no firmamento e impediram a sua visualização. Impulsivamente, acelerei os meus passos tendo por objetivo antecipar-me à chuva e alcançar, a tempo, a minha casa. Não consegui.

Naquele instante, senti em meu rosto e nos meus cabelos, que estavam à mercê do vento gelado, os primeiros pingos do precioso líquido. Olhei à minha volta em busca de um abrigo. Não encontrei. Todos já haviam se recolhido para se protegerem da precipitação atmosférica que se fazia anunciar. Não me restou alternativa senão me render, deixando-me banhar pela água que generosamente passou a cair do céu. Não me arrependi. Quando me vi completamente molhada, recordei-me do meu tempo de criança. Belos dias! Brincávamos, eu e meus irmãos, “inocentemente”, no quintal de nossa casa, até que os nossos pais nos chamassem alertando para o risco de sermos atingidos por raios. Obedecíamos, naturalmente, mas, como não resistíamos à chuva, sempre que ela dava o ar de sua graça, como numa gravação, tínhamos que ouvir os mesmos argumentos que abreviavam nossa felicidade.

Envolta nessas recordações da infância, fui invadida por uma sensação de bem-estar, paz e alegria. Corri e rodopiei sob aquele manto cristalino. Foi um momento ímpar de solitário prazer. Não tinha mais pressa de chegar ao meu destino. Queria prolongar aquele instante, desfrutar da liberdade de viver uma experiência tão simples, porém, tão rara para pessoas que levam uma vida dinâmica como eu.

Gastei mais que o tempo necessário para percorrer a distância que me trouxe de volta ao conforto de meu lar. Cheguei encharcada, no entanto, de corpo e alma lavados e o melhor: feliz, muito feliz!

Copyright © 2009 – Josselene Marques
© Todos os Direitos Reservados

6 comentários:

Anônimo disse...

Josselene,
estou aqui a espera que a chuva passe para eu poder ir trabalhar. Assim como você, a chuva me faz lembrar de momentos da infância onde procurar a melhor "bica" era um desafio entre nós meninos. Lembro-me bem da força da água da bica caindo na nossa cabeça. Na hora era bom, depois dava muita dor de cabeça e, na maioria das vezes, água no ouvido. rsss. Agora, da forma como você descreveu esse momento ímpar, eu fiquei imaginando a cena. Deve ter sido muito gostoso ver os pingos "açoitando" o rosto e molhando a roupa até deixá-la encharcada. Acredito que suas lembranças foram a mil. Parabéns pelo banho de chuva, parabéns pela crônica.
Abraço,s
Raí

Baladas mp3 disse...

Ohh Jossi, que bonito relato.En Brasil, en Argentina y en Las Galàpagos pienso que los seres humanos sentimos las mismas cosas.
Es muy cierta esa sensaciòn de entregarse a la naturaleza sin preconceptos que traemos de niños.Cada vez que comienza la lluvia y nos sorprende en la calle atinamos a cubrirnos y olvidamos que cuando niños dejàbamos que el agua nos empapara sin renegar.Es que a veces olvidamos que fuimos niños...
Finalmente para agregar una cuota de pretendido humor digo que...."Tu Madre tenìa razòn cuando de niña te decìa..."Jossi lleve el paraguas que hay tormenta",pero si lo hubieras llevado no te habrìa nacido este hermoso relato.Gracias por tanta sabia simpleza.

Magda Maria disse...

Selene, Parabéns pela crônica! Você está escrevendo cada vez melhor! Merece estar com obras expostas ao lado de outros grandes escritores, pensadores e sábios de renome mundial... (nas melhores casas do ramo...)

nogueira disse...

Ah! Que viagem espetacular você me proporcionou com este texto,me levou de volta à minha boa e velha doze anos, lembrei-me de Zé Boró, Dona Lica, Seu Zuza,de minha mãizinha querida, de um tempo que a memória insiste em não querer apagar, de um tempo em que erámos felizes e não sabíamos, de um tempo que para ser feliz bastava está vivo.
Parabéns e obrigado pela viagem, são textos simples como este que nos proporcionam um raro momento de prazer.
Nogueirinha do 30

Ângela disse...

Eu que adoro banho de chuva, amei fazer este passeio com você. Bela crônica. Abraço.

Josselene Marques disse...

Professor:

Foi exatamente isso: uma experiência ímpar e digna de ser repetida.
Obrigada pelo acesso e pelo comentário, que enriquece a minha postagem.

Cordial abraço e recomendações à Auxiliadora.


Beto:

Muy agradicida por tus palabras tan amables.
Me gusta mucho tu cuota de humor... jeje

Cordiales saludos!

Mágda:

Sempre amável e com palavras de incentivo.
Muito obrigada e volte sempre.

Nogueirinha:

Irmãozinho,fico feliz que tenha gostado. É um prazer saber que, de certa forma, meu blog faz bem às pessoas.
Recomendações à sua dona Rosa.
Abraço e volte sempre!

Ângela:

Obrigada pela visita e pelo elogio.
Volte sempre que puder. Esta também é a sua casa.
Abraço, amiga!